A ASCEMA Nacional lança a campanha “Visibilidade ao Invisível”, criada a partir da mobilização servidores PCDs da Carreira de Especialista em Meio Ambiente, especialmente pessoas com deficiências invisíveis e neurodivergências. A iniciativa busca ampliar o conhecimento sobre essas condições, combater preconceitos e fortalecer uma cultura institucional baseada na inclusão, na acessibilidade e no respeito aos direitos garantidos pela legislação.
A campanha chama atenção para um desafio ainda pouco debatido no serviço público: garantir que a inclusão não se limite ao ingresso de pessoas com deficiência, mas esteja presente também nas condições de trabalho, na acessibilidade, nas adaptações razoáveis e na permanência desses profissionais em um ambiente livre de barreiras e discriminação.
Os números revelam essa realidade. O Brasil possui mais de 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população, segundo o IBGE. Na administração pública federal, porém, elas representam apenas 1,38% do total de servidores. No ICMBio, aproximadamente 5% dos servidores são pessoas com deficiência.
A campanha também busca ampliar a compreensão sobre as neurodivergências, como autismo, TDAH, dislexia, dispraxia e outras formas de funcionamento neurológico, além de lembrar que muitas deficiências não são perceptíveis à primeira vista. O desconhecimento sobre essas condições ainda favorece situações de preconceito, desinformação e constrangimento no ambiente de trabalho.
Outro foco da iniciativa é reconhecer a realidade de servidoras e servidores que são pais, mães ou responsáveis por crianças neuroatípicas. A campanha reforça a importância de que os direitos previstos na legislação sejam efetivamente respeitados para que esses profissionais possam conciliar suas responsabilidades familiares com o exercício de suas funções.
Ao promover conscientização, a campanha propõe fortalecer uma cultura institucional baseada na acessibilidade, na inclusão e no respeito às diferenças, contribuindo para ambientes de trabalho mais humanos, eficientes e preparados para acolher a diversidade.
Porque inclusão não é favor. Adaptação razoável não é privilégio. Acessibilidade não é concessão. Trata-se da garantia de direitos.
Assista à Live de Lançamento realizada nesta terça-feira 04/08
Frases reais ouvidas por servidores de chefias ou colegas
Infelizmente, o preconceito ainda se manifesta em situações do cotidiano, muitas vezes por meio de comentários aparentemente banais, mas que reforçam estigmas, constrangimentos e desinformação. São frases como:
“Nossa chefia já falou que ‘todo mundo é um pouco autista’ quando um colega neurodivergente estava falando sobre o que ele sentia”.
“Vocês deveriam agradecer porque terão essa sala, sendo que no ministério não tem mais espaço. Isso em tom alto e apontando o dedo. Tratou como favor uma solicitação que tem amparo legal”;
“Quando foi inaugurada a sala de descompressão no MMA, uma colega disse que era uma conquista necessária porque as novas gerações são muito sensíveis e problemáticas”;
“Você não precisa tomar remédio (o que não faz o MENOR sentido visto que eu comecei a ir neste psiquiatra justamente porque precisei me tratar da depressão que é COMORBIDADE do autismo)”;
“Quem não tem laudo hoje em dia? Todo mundo usa laudo de muleta.”
“Todo mundo é um pouco autista.”
“Nem parece que é autista. Falou tão bem. Daqui a algum tempo você já vai estar curada.”
“Agora todo mundo tem preferência.”
“Eu pensei que estava num lugar seguro e inclusivo. Até ouvir pessoas falando sobre um colega pelas costas. Fico triste porque o mundo simplesmente não funciona para a gente assim.”
É para que frases como essas deixem de fazer parte da realidade do serviço público que a ASCEMA Nacional lança esta campanha: para informar, sensibilizar, combater preconceitos e fortalecer uma cultura institucional baseada no respeito, na inclusão e no cumprimento dos direitos.

